domingo, 13 de dezembro de 2009

Cachaçaatômica - Aldo Lins

Me armei com o copo e a espada
E a minha lança perfumada
Como um infante
Que perdeu a infância
E a infantaria.

Não reconheci o meu inimigo
Só no espelho o coração ferido
Como um cavaleiro
Que perdeu a dama
E a cavalaria.

Arremessei cem copos
De goela abaixo
E atrevessei a rua
Como um artilheiro
Que perdeu o gol
E a artilharia.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Insurreição - Aldo Lins.

Primeiro feriu com mercúrio o rio
E as águas doces ferveram em rãs
E foram tantos mosquitos e moscas
Que nenhum animal sobreviveu

E com as mãos cinzentas
Fez adoecer a terra
Encharcando de granizo e pó
E os gafanhotos devoraram
O que sobrou do flagelo

Depois apagaram as luzes
E em cada casa
Onde havia um morto
Levaram os vestidos de prata
Para fazerem a travessia

Embora os homens de pedras
Não vejam quão magníficas são
A tua beleza e a tua mão.

Lançamento do livro "Alma de Vidro", de Aldo Lins
será dia 16 de Dezembro, uma quarta-feira,
ás 19h, no Teatro Mamulengo,

praça do Arsenal da Marinha -
Recife Antigo,
em frente à Torre Malakof.
Vamos todos lá prestigiar,
que ele é muito bom
e o livro tá um esmero!

Paraibano, natural de Cajazeiras e
radicado há 17 anos em Recife,
o poeta Aldo Lins traz no livro
prefácio de Jaci Bezerra e orelha por Ângelo Monteiro.
A edição assinada pela Grupo Paés
vem para fazer sua poesia romper fronteiras.

Conheço Aldo desde os tempos
do "Hospício Poético",
em que ele organizava juntamente
com José Terra.
Século III A.C. mais ou menos.
Segue abaixo 2 poemas de sua autoria.

Bandeira da Aurora - Aldo Lins

Comtemplo a arquitetura da Aurora
Recreio dos pássaros da Boa Vista
Do seu cais palco sempre dourado
E de museus falando as suas horas.

Aurora musa dos sonhos de Bandeira
Mãe de tantos andarilhos girassóis
Plataforma de olhares impassíveis
Transmutados pelo pão de cada dia.

Aurora monumento à liberdade
Descortina o Palácio das Princesas
E acolhe os eternos namorados
Embriagados com a lua do seu rio.

Quisera eu aqui ter vivido
A aurora azul da minha vida
Nesta via de perfeita geometria
Entre a fumaça e névoa da cidade.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Por trás das Lentes - Aldo Lins.

Canto
Mesmo sabendo que existem
Rimas passando fome
E versos sem casa para morar
Ainda assim eu canto
E canto como o solitário condor
Porque sei que um dia
Haverei de ver demolido o muro
Que se ergueu com a minha dor

Canto
Mesmo vendo um quadro negro no espelho
E um coração desenhado no peito
Com uma porta aberta para a saudade

Canto
Mesmo sentindo na boca
O gosto amargo que trago
Porque é neste canto
Que crio e formo
Este mundo louco, consciente
De poeta, de maluco impertinente
Que tanto canto sozinho
Como na multidão, no entanto encanto
Que no brilho ou no opaco deixo semente

Canto
E este canto alegre
Esconde este trapo
Porque é neste canto
Que eu sei que há em algum lugar
Num solitário canto
Um sabiá, um rouxinol
A murmurar também seu pranto

Canto
E este canto de guerra
Me ensina a viver em paz
Porque é neste canto
Que disfarço e encanto
E fujo do pranto
Por este ser acalanto

Aprender - Shakespeare

Depois de algum tempo você percebe
A diferença, a sutil diferença entre
Dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa
Apoiar-se, e que a companhia nem
Sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos
Não são contratos e presentes
Não são promessas.
Começa a aceitar as derrotas
De cabeça erguida e olhos
Adiante, com a graça de um adulto,
E não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir suas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhã é incerto
Demais para os planos, e o futuro tem
O costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo, você aprende que
O sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o
Quanto você se importe, algumas pessoas
Simplesmente não se importam...
E aceita que não importa o quão boa
Seja uma pessoa,
Ela vai feri-lo de vez em quando
E você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se
Construir a confiança e apenas segundos
Para destruí-la, e que você pode fazer coisas
Em um instante, das quais se arrependerá pelo
Resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a
Longas distâncias.
E o que importa não é
O que você tem na vida e sim
Quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família
Que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar
De amigos se compreendermos
Que os amigos mudam,
Percebe que seu amigo e você podem
Fazer qualquer coisa, ou nada, e terem
Bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas que você mais
Se importa na vida são tomadas de você
Muito depressa, por isso devemos
Deixar as pessoas que amamos
Com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
Têm influência sobre nós, mas nós somos
Responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve
Comparar com os outros, mas
Com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
Para se tornar a pessoa que quer ser,
E que o tempo é curto.
Aprende que não importa
Onde já chegou,
Mas onde está indo,
Mas se você não sabe onde está indo,
Qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
Ou eles o controlarão, e que ser flexível
Não significa ser fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil
Seja uma situação,
Sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que
Fizeram o que era necessário fazer,
Enfrentando as consequências.

Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que às vezes a pessoa que
Você espera que o chute quando você cai
É uma das poucas que o ajudam
A levantar-se.
Aprende que maturidade tem
Mais a ver com tipos de experiência
Que se teve e o que você aprendeu com elas,
Do que com quantos aniversários
Você celebrou.
Aprende que há mais dos seus
Pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer
A uma criança que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tâo humilhantes
Que seria uma tragédia
Se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva
Tem o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não
Te ama do jeito que você quer que ame,
Não significa que esse alguém
Não te ama com tudo que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem
Demonstrar e viver isso.

Aprende que nem sempre é
Suficiente ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que
Aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade
Com que julga, será em algum momento
Condenado.
Aprende que não importa em quantos
Pedaços seu coração foi partido,
O mundo não pára para que
Você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo
Que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim
E decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém
Te mande flores.
E você aprende que pode suportar...
Que realmente é forte,
E que pode ir muito mais longe
Depois de pensar que não se pode mais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


Para
Joffre Tenório

Eu encontrei
Num copo de cerveja
Uma bactéria leprosa,
Muito beba e
Muito prosa,
Foi aí que eu descobri
O protoplasma de plástico
E então eu perguntei:
O que é que meu
Pé tem a ver com
Minha mãe?

Carlos Maia
Julho/78

A noite foi pesada.
Mais uma noite de insônia
à frente do computador, na internet,
escrevendo no blog.
Na matéria que eu estava escrevendo
sobre Provérbios, Paulo e Silas
foi tanta unção que eu pensei
que ía ter um ataque
de epilepsia.
Tive que tomar um Riva pra me acalmar.

Meu chakra coronariano está
em frangalhos, dolorido.
Está difícil liberar o perdão,
mas eu bem sei
que não há outra saída.

Agora já são 4 hs e continuo aceso.

Vou malhar na Jaqueira.

Bom Dia a todos!

Carlos Maia.
Lançamento do livro "Alma de Vidro", de Aldo Lins
será dia 16 de Dezembro, uma quarta-feira,
ás 19h, no Teatro Mamulengo,

praça do Arsenal da Marinha -
Recife Antigo,
em frente à Torre Malakof.
Vamos todos lá prestigiar,
que ele é muito bom
e o livro tá um esmero!

Paraibano, natural de Cajazeiras e
radicado há 17 anos em Recife,
o poeta Aldo Lins traz no livro
prefácio de Jaci Bezerra e orelha por Ângelo Monteiro.
A edição assinada pela Grupo Paés
vem para fazer sua poesia romper fronteiras.

Conheço Aldo desde os tempos
do "Hospício Poético",
em que ele organizava juntamente
com José Terra.
Século III A.C. mais ou menos.
Segue abaixo 3 poemas de sua autoria.

Sonâmbulo - Aldo Lins



Para Carlos Maia



Ao espelho no seu mundo patético

Nem mais um petardo o desperta
Nem a espera renitente por algo
De alguém que pintou outra aquarela.

O desmantelo da vida o conduz
Para as calçadas sujas e medonhas
Para o banho em águas escuras
Para a noite longa e tristonha

Agachado contempla as estrelas
Relâmpago do sorriso de uma sereia
No seu coração indigente em agonia

Mas o sangue em cruz pelas calçadas
Mancha a torre azul da catedral
Mancha os trilhos de nossa alma.

Foto: Carlos Maia.