"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
sexta-feira, 31 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
ILUMINAÇÃO: ELEVAR-SE ACIMA DO PENSAMENTO
Pensar não é essencial para sobrevivermosneste mundo?
A sua mente é um instrumento, uma ferramenta.
Existe para ser usada numa tarefa específica e,
quando esta termina, põe-se a parte.
Assim sendo, eu diria que cerca de
80 a 90 por cento do pensamento da maioria
das pessoas é não só repetitivo e inútil, mas, devido
à sua natureza disfuncional e muitas vezes negativa,
é também muitas vezes prejudicial.
Observe a sua mente e verá que isto é verdade.
Provoca uma perda considerável de energia vital.
Esta espécie de pensamento compulsivo é,
na realidade, um vício. O que é que caracteriza um
vício? Muito siplesmente isto: você deixa de sentir
que tem a opção de parar. Parece ser mais forte
que você. E dá-lhe igualmente uma falsa sensação
de prazer, prazer esse que invariavelmente se
transforma em dor.
Por que motivo seríamos nós viciados em pensar?
Porque você se identifica com o pensamento,
o que significa que obtém a sua sensação
de identidade a partir do conteúdo e da atividade
da sua mente. Porque você acredita que deixaria
de existir se deixasse de pensar.
Ao crescer, você forma uma imagem mental da
pessoa que é com base nos seus condiciona-
mentos pessoais e culturais. Podemos dar o
nome de ego a esse eu fantasma.
Consiste na atividade da mente e só pode
continuar a funcionar através do pensar cons-
tante. O termo ego significa diferentes coisas
para diferentes pessoas, mas quando eu o uso
aqui significa um falso eu, criado por uma
identificação inconsciente com a mente.
Para o ego, o momento presente praticamente
não existe. Apenas o passado e o futuro
são considerados importantes.
Esta total inversão da verdade explica o fato
de a mente ser tão disfuncional quando está
a funcionar como ego.
O ego preocupa-se constantemente em manter
vivo o passado, porque, sem ele,
quem seria você?
Projeta-se constantemente no futuro para
garantir a continuidade da sua sobrevivência e
para procurar aí algum tipo de libertação ou de sa-
tisfação. Ele diz: "Um dia, quando isto, ou aquilo,
acontecer, eu vou sentir-me bem, feliz, em paz."
E mesmo quando o ego parece preocupar-se
com o presente, não é o presente que
ele vê: distorce-o completamente porque
o vê através dos olhos do passado.
Ou então reduz o presente a um meio para
alcançar um fim, fim esse que fica sempre no
futuro que a mente projeta.
Observe a sua mente e
verá que é assim funciona.
O momento presente possui a chave para a libertação.
Mas você não poderá descobrir o momento presente
enquanto você for a sua mente.
Não quero perder a minha capacidade de analisar
e discriminar. Não me importaria de aprender
a pensar de maneira mais clara,
mais concentrada,
mas não quero perder a minha mente.
A capacidade de pensar é a coisa mais preciosa
que possuímos. Sem ela, seríamos apenas
uma outra espécie animal.
A predominância da mente não passa de um
patamar na evolução da consciência.
Precisamos chegar ao patamar seguinte
agora, urgentemente; de outro modo,
seremos destruídos pela mente, que se terá
transformado num monstro.
Falarei disto em pormenor mais adiante.
O pensamento e a consciência não são
sinônimos. O pensamento não passa de um
pequeno aspecto da consciência.
O pensamento não pode existir sem a
consciência, mas a consciência
não precisa do pensamento.
A iluminação significa elevar-se acima do
pensamento e não descer a um nível
abaixo do pensamento,
ao nível de um animal ou de uma planta.
No estado de iluminação, você continua a utilizar
a sua mente e a pensar sempre que necessário,
mas fa-lo-á de uma maneira muito mais
concentrada e eficiente do que anteriormente.
Utilizá-la-á principalmente para fins práticos,
mas ficará livre do diálogo interior
involuntário e conhecerá
a quietude,
interior.
Quando usar a sua mente, e particularmente
quando for necessária uma solução
criativa, você oscilará frequentemente entre
o pensamento e a quietude,
entre a mente e a ausência de mente.
A ausência de mente é a
consciência sem o pensamento.
Só dessa maneira é possível pensar-se
criativamente, porque só dessa maneira
o pensamento terá verdadeiramente poder.
O pensamento por si só, quando deixa de
estar ligado ao reino muito mais vasto
da consciência,
torna-se rapidamente estéril,
insensato e destrutivo.
A mente é essencialmente uma máquina
de sobrevivência. Atacar e defender-se de
outras mentes, reunir, armazenar e analisar
informações - é nisso que ela é boa,
mas não é de maneira nenhuma criativa.
Todos os verdadeiros artistas,
quer o saibam quer não,
criam com base na ausência de mente,
na quietude interior.
Só posteriormente é que a mente dá forma
ao impulso criativo ou à inspiração.
Até os grandes cientistas dizem que os
seus sucessos criativos aconteceram num
momento de quietude mental.
O resultado surpreendente de um inquérito,
feito a nível nacional junto aos mais
eminentes cientistas americanos, entre os
quais Einstein, tendo em vista descobrir
os respectivos métodos de trabalho,
foi o de que o pensar
"desempenha unicamente um papel
secundário na fase breve,
mas decisiva, do ato criativo em si."
Por isso, eu diria que a simples razão pela
qual a maioria dos cientistas não é criativa
não é por não saber pensar,
mas por não saber como parar de pensar!
Não foi através da mente, através do
pensamento, que foi criado e é mantido o
milagre que é a vida na Terra ou
no seu corpo.
Existe claramente uma inteligência
a reger este processo que é de longe maior
do que a mente. Como pode uma única célula
humana, que de largura mede um
milionésimo de polegada, conter dentro
do seu ADN instruções que dariam para
encher 1.000 livros de 600 páginas cada um?
Quanto mais aprendemos sobre o
funcionamento do corpo, mais compreendemos
quão vasta é a inteligência que o rege
e quão limitado é o nosso
conhecimento.
Quando a mente se liga novamente a essa
inteligência, transforma-se numa
ferramenta maravilhosa.
Serve então a algo
maior do que
ela.
Eckhart Tolle.
sábado, 25 de julho de 2009

Marquei um encontro com o vinho
e as palavras a se juntar numa folha qualquer
e ao me deparar com o vinho num copo
olhei profundamente para ele, e vi
minha imagem refletida, mostrando como sou
escuro, inconstante, embriagado
olhei para o papel e talvez fosse como ele
esquecido, amassado, sujo
vindo da fusão de outros papeis
ou fosse vários papeis a se juntar
se esquecer, amassar, e jogar em qualquer sarjeta
como um mendigo bêbado, sonhando com um futuro
de muitos vinhos, papeis para assinar, amores por amar
E depois de tantos vinhos, embriagado
com tantos papeis escritos, sem assinar
levantei-me e sai a cambalear
para num canto escuro, sujo, dormir
E sonhar com os próximos vinhos
papeis para assinar, amores...
João Adolfo Maciel Monteiro.
22/08/01
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Chapado na Chapada.
Quando fui a Lençóis pela 1ª vez,em 1993, dei carona a dois trabalhadores
rurais; este da foto se chamava
Benedito, o outro Segredo.
Eu saí de Recife a 180 Km/h,
estava na minha primeira crise de
transtorno bipolar.
Fui sem mapa, sem nada, só sabia
que Lençóis ficava
próximo a Feira de Santana.
Quando parei num posto para perguntar
se estava no caminho certo
estes dois trabalhadores
me pediram uma carona, eu disse
que não tinha problema algum,
só advertí-los que corria
um pouco.
Eles não acharam nada demais.
Quando Benedito viu o velocímetro
marcar 180 Km/h
ficou petrificado.
Paramos num outro posto para reabastecer.
Quando descemos
Benedito não aguentou
e falou para o bombeiro:
"Home esse camarada é completamente
doido, a gente estava a 180 Km/h,
descendo uma ladeira,
e ele achava pouco
e ficava acunhando o pé
no acelerador querendo mais.
Tinha uma ponte e um riachinho no final
da ladeira, então eu pensei:
"Virge Maria, minha Mãe Santíssima
é agora que a gente
vai pegar peixe no céu!!!"
Depois eu maneirei mais
e tomamos alguns vinhos portugueses
maravilhosos.
Em determinada altura eu perguntei
a Benedito:
"Diga aí Benedito, se alguém encostar
aqui na gente pra tirar onda
como é que é???"
E eu já com a máquina pronta.
Benedito respondeu:
"O quê???
Eu estraçaio com os dente!!!"
Levava uma vida descoloridadaquelas em que não se escurece
pois estes são os estados das cores
escuras, cinzas, pretas, ocres
só ganhava cor a cada 28 dias
em tons vermelhos de pura agonia
E na periferia de sua mente
totalmente mal construída de idéias
na qual não havia espaço para comédias
sarcasmos de brincar com a própria dor
Se utilizava do álcool como de uma camisa
na hora do frio vestia-se dele
para proteger-se de seu próprio inverno
das chuvas que fazia cair diariamente
regando todo o seu jardim de varanda
E dali olhava toda a imensidão vertical
que cortava todos os horizontes
deixando quadrados multicoloridos
que mudavam constantemente de cor
tanto quanto os pingos de sua chuva
Não aguentava mais tantas cores ocres
e decidira colori-la apenas uma vez
numa cor clara, barulhenta e quente
Morria com a cor de cada 28 dias.
João Adolfo Maciel Monteiro.
07/08/01.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
O cercoEstamos todos cercados;
e o silêncio do sonho
é nossa arma sagrada:
as pistolas e as línguas de aço
dos inimigos brilham ao sol,
e eles gritam tanto
sobre as velhas colinas,
atrás das cegas estantes,
que sabemos de tudo;
e colados ficamos,
amamos e permaneceremos.
Sabedoria classe B
Vamos falar dos objetos
para ninguém sair ferido.
Os deuses e as idéias
sempre nos dividiram.
Vamos falar apenas dos objetos.
Deixemos em paz
o novo amor de Rachel,
deixemos em paz
o homossexualismos do patriarca.
Deixemo-nos em paz.
Frase de Efeito
Dizer que, no fundamental
estamos sós,
é frase de efeito,
mas sinal para todos
se omitirem
do sofrimento de todos,
no fim, é frase
que causa, mesmo,
um monstruoso efeito.
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