"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
terça-feira, 21 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
A praia é a mesmaAs pedras, a areia
O vento são os mesmos
Os pássaros que brincavam a toa
eram os mesmos...
Mas havia algo diferente
E eu vendo as torres tão distantes
Me trouxe por um instante
A lembrança e o carinho
De conclamar aos Deuses da poesia
Que antes que a noite caia
Eu possa brindar
a poesia de Carlos Maia!
Aldo Lins.
Novembro/2008.
"Da árvore e do rio e do grito do povo"
que vós, poetas, cantáveis em Castela.
(A soledade horizontal, cortada por um mastro
do mar que Margall suspeitava distante?)
Nem é o pinheiro Serrat, mediterrâneo,
nem o pinheiro do bosque dos cogumelos e o musgo...
É apenas um frágil eucalipto
quase ainda nu,
precário ainda.
As estrelas, parece, são as mesmas.
A noite é tão humana
como essas vossas noites, ó poetas,
profetas da Terra.
O Milton Nascimento
canta a dura vida dos pobres,
(Há um modo, ainda, de dizer a verdade:
com o violão...)
O Araguaia, mudo
como a dor do povo, contido
como o furor do povo
- tão distantes do rio e do violão
as Leis dos homens importantes! -
segue sua antiga rota,
teimosamente arrastado.
Pedro, o cego, fala, grita, livre, só.
- "Se tu estivesses são,
já teríamos rodado os dois pelo chão".
ganiu o gerente, estúpido.
- "Já teríamos rodado".
respondia-lhe o cego.
A velha casa paroquial do Morro
esfria, com a noite palpitante de vento,
seu rescaldo de areia calcinada,
sua calcinada história.
(Jentel ri na sombra,
com o cego e o vento, subversivos...)
"Levar vida de gente", canta Milton,
Pedro prossegue gritando alto, livre.
O eucalipto, leve, quase nu ainda, inadaptado,
trêmulo como um corpo trazido de outros climas,
incapaz de entender e dar respostas,
cresce na noite clara; e as estrelas
- meus olhos, meu silêncio,
o silêncio de Deus e a Palavra -
devem, por fim, saber alguma coisa
da árvore e do rio e do grito do povo...
Digo eu. Canta Milton. Gritam, livres, os pobres.
Não é possível que continuem, as estrelas,
impassíveis...!
Dom Pedro Maria Casaldáliga
sábado, 18 de julho de 2009
Quantas barreiras,Quantas montanhas,
Quantos Golias tive que enfrentar
Pra chegar até aqui!
Infernos encondidos
Em pêssegos suculentos,
Venenos vagando
Pelos antros na madrugada...
Todos os pecados
Todas as blasfêmias
Deus suportou.
Porque Ele tinha e tem
Um plano na minha
E na tua vida!
Levante a cabeça
Saia do lugar que limita
Sua visão!
Neste exato instante
Ele já mandou o anjo com a tua
benção e a tua vitória!
Louve, cante, dê glória!
Pois Ele te ama
E quer te ver
Feliz!
Carlos Maia
16/07/09
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O Mundo como idéia - Bruno Tolentino
e para o qual quer tender,
isso vai tornar o seu presente muito
complicado porque, para chegar até lá,
precisará lidar com todas as confusões do
dia de hoje que não se ajustam
a essa idéia de futuro que criou.
Por isso, o seu presente será muito conflituoso;
no entanto, conseguimos viver em meio
a conflitos, é próprio do ser humano
enfrentar os paradoxos do dia-a-dia.
O pior não é que essa idéia o impede de viver
as coisas como são, mas que o obriga
a destruir seu passado.
Para poder manter essa visão de presente
que você anuncia em nome do futuro,
tudo o que foi precisa tornar-se suspeito.
Passa a ser sua missão destruir as possibilidades
de contar com esse passado como ajuda.
Ora, todos nós temos um passado,
uma memória, alguma coisa de que nos
lembramos bem;
um tesouro qualquer de que não queremos
abrir mão com tanta facilidade.
Mas será necessário jogar tudo isso fora
para ter um presente "limpo" em
nome do futuro,
ou da idéia de um futuro que vem por aí.
Você joga fora o passado e passa a viver
num presente que é um deserto,
em nome dessa idéia de futuro que,
quase com certeza, não chegará nunca.
E essa promessa que você tem é uma coisa
extremamente adaptável:
pode chamá-la de niilismo ou do que quiser,
mas o fato é que ela trará consigo um ódio
a tudo o que existe.
"Ah, mas isso são velharias",
"Ah, mas isso é de ontem",
"Ah, mas isso não se usa mais",
é o que mais se ouve hoje em dia.
Esse drama é o que eu chamo
do mundo-como-Idéia:
você não pode mais ter um presente,
um passado e um futuro,
só pode ter aquilo que fizer agora:
é uma idolatria, é uma apostasia
e é uma pirraça com a vida.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
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