"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa
Quando eu morrer, verei o avesso do mundo. O outro lado, além do pássaro, da montanha, do poente. O significado verdadeiro, pronto para ser decodificado. O que nunca fez sentido, fará sentido, O que era incompreensível, será compreendido. - Mas, e se o mundo não tiver avesso? Se o sabiá na palmeira não for um signo, Mas apenas um sabiá na palmeira? Se a Sequência de noites e dias não fizer sentido E nessa Terra não houver nada, apenas terra? - Mesmo se assim for, restará uma palavra Despertada por lábios agonizantes, Mensageira incansável que corre e corta Campos interestelares, corta galáxias que giram, E clama, reclama, grita.
Czeslaw Milosz Poeta polonês - Nobel de Literatura
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Quando entrou em Caruaru A estátua de Davi Se desfez em Jerusalém.
Não sei quantas almas tenho Cada momento mudei Continuamente me estranho Nunca me vi nem acabei De tanto ser, só tenho alma Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: "Fui eu?" Deus sabe, porque o escreveu.
Este poema eu dedico A Gilmara Pires, que está no Rio de Janeiro.
Se para cada momento achássemos a palavra certa Se para cada segundo fôssemos a própria palavra, pois a cada pensamento uma palavra pode ser reciclada e influenciará a todo resto do contexto, a todo passo... A palavra pode ser chave ou ser presa! pode ser arma mas, talvez não acertada... Se as pessoas soubessem quantos quilos valem uma palavra...??! (palavra que prende) E aquela que diz mesmo sem dizer?! Talvez eu seja mais os sinais do que a própria palavra dita!! (.?:;...)
(sinal, o gesto, que sinto)
(PARE, PENSE, SIGA...)
Ana Talita - cantora, poeta e ainda "marginal":)!)
domingo, 9 de agosto de 2009
Extrapolei todos os limites Rompi o canto das sereias Nas madrugadas insanas De Olinda.
De longe este é o pilar do relacionamento longo e próspero. Inclusive é um assunto senso comum, pois todos sabem que isso é importante.
Mas é difícil gerar essa comunicação. Tem coisas que precisam ser verbalizadas, outras que só precisam ser sentidas e que nos paradigmas aos quais opero é uma forma de comunicação também.
Como é difícil falar: "eu gosto de você", "eu quero ficar contigo", "quero não fazer nada do seu lado só para ficar juntinho". O que será que passa nas nossas cabeças nessas horas para que articular isso seja tão complicado, algo que a priori deveria ser tão simples.
Eu sou treinado para falar para 1 ou 1.000.000 de pessoas. Sinto-me plenamente a vontade de discursar em público e não sinto ansiedade. Às vezes um tiquinho de nada que se dissolve assim que pego o microfone.
Contudo, tremo nas bases, me falta a palavra certa, o momento certo e a coragem para falar algo simples e verdadeiro para alguém que realmente importa.
POR QUE?
Ainda me é nebuloso o real motivo. O caminho fácil é dizer: medo, insegurança, dor de barriga, unha encravada... Por mais que todos esses motivos possam ser verdadeiros eles são só reflexo de algo que eu ainda não entendi.
Reações emocionais são fruto da nossa inabilidade de lidar com aquilo que está acontecendo. Assim como eu ficaria muito ansioso se não tivesse sido treinado para falar em público.
A pergunta que cabe é:
O QUE EU AINDA NÃO SEI?
Eu não sei se vai dar certo, eu não sei se vou saber falar o que precisa ser dito, eu não sei se vou conseguir falar da forma que deve ser dita, eu não sei como alguém consegue comer pizza doce... er... enfim...
Como não tenho respostas então a solução é...
DEFINIR O QUE DESEJO
Eu quero que dê certo, eu quero poder compartilhar a vida, eu quero... (fala a verdade te deixei curioso com a reticência?)
Quando vou falar em público eu sei para quem, qual é o começo o meio e o fim da conversa a tal ponto que para o espectador pareça que foi informal, que foi de improviso. Mas nunca é.
Eu já sei o propósito. O ponto no horizonte. Agora só falta ensaiar o começo e por onde eu irei passar para então chegar.
Aissm cmoo nsoso créerbo csgoneue ler etsa fsrae ebhlamarada, só tdneo no laugr a pierimra e a úlmita ltera, nós tébmam só piarmecsos sbaer o pnoto de pdratia e o fainl, pios o mieo pdoe ser uma bgaçnua didervtia.
Autoritárias, paralisadoras, circulares, às vezes elípticas, as frases de efeito, também jocosamente denominadas de pedacinhos de ouro, são uma praga maligna, das piores que têm assolado o mundo. Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais dificultosa operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar estrangulamentos, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.
A vida é barulhenta, e o mundo está muito populoso. Mas lutar contra o barulho não é a maneira de se livrar dele; a maneira de se livrar dele é aceitá-lo totalmente.
Quanto mais você lutar, mais nervoso ficará, porque, quanto mais você lutar, mais ele o pertubará. Abra-se e aceite-o; o barulho também é parte da vida. E, quando você começar a aceitá-lo, ficará surpreso: ele não o pertubará mais. A pertubação não vem do barulho, ela vem de nossa atitude em relação a ele. O barulho não é a pertubação, a atitude é a pertubação. Se você for antagonista a ele, ficará pertubado; se você não for antagonista a ele, não ficará pertubado.
E aonde você irá? Aonde você for, algum tipo de barulho fatalmente estará presente; o mundo inteiro é barulhento. Mesmo que você possa encontrar uma caverna no Himalaia e ficar lá, você perderá a vida. O barulho não estará presente, mas todas as possibilidades de crescimento que a vida torna disponíveis também não estarão presentes, e logo o silêncio parecerá monótono e morto.
Não estou dizendo para não desfrutar o silêncio. Desfrute-o, mas saiba que o silêncio não é contra o barulho. O silêncio pode existir no barulho. Na verdade, quando ele existe no barulho, somente então ele é o silêncio real. O silêncio que você sente no Himalaia não é o seu silêncio; ele pertence ao Himalaia. Mas, se você puder sentir o silêncio no mercado ou na feira, poderá ficar completamente tranquilo e relaxado, ele é seu. Então você tem o Himalaia em seu coração, e isso é o que importa!
A vida vencerá, Chico Tantas vezes desejando a morte Tantas vezes sem sentido Desbragadamente desprendido De tudo! Pulando da ponte Dormindo com as putas Se afogando Na maconha e no álcool Para mitigar um pouco A dor De não compreender Tanta miséria e desigualdade Dançando ao som do maracatu Em Rainha, A vida vencerá, Chico A vida sempre vencerá! Mesmo que um dia morramos.
Carlos Maia 20/09/06.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Xande está aprendendo abraços. O menino esquivo, que sonha ter uma arma e chuta cadeiras e gentes, já se deixa beijar. E chega junto, como quem não quer nada, a alma sedenta de carinho.
Xande está aprendendo leituras. O menino que juntava letras sem percebê-las, que olhava os desenhos dos livros, ansioso por compreender o que insinuavam, está aprendendo que pode aprender.
Xande está aprendendo a ser. O menino à deriva, o menino náufrago de sua própria realidade está aprendendo a remar. Está aprendendo a acreditar em si mesmo.
E, quando eu o vejo assim, aprendendo, eu também reaprendo a esperança. E ela tem a cor da felicidade.
Publicado no blog: http://palavraspontes.blogspot.com
domingo, 2 de agosto de 2009
Poeta, poeta, onde estão indo dar os teus caminhos? Onde deixastes o prumo, a régua, o passo? Poeta, poeta, que ânsia de vida é essa? Que poço insondável é esse que consome o teu coração? Risca uma nova porta, traça uma nova estrada, Soergue o prumo das entranhas da terra, Retoma a tua vida! Enfrenta o minotauro nos labirintos do teu coração!
- Se me acontecer alguma coisa, você ficará amparada. Disse Marcel a Janine. E, de fato, é preciso garantir-se contra a necessidade. Mas, do resto, do que não representa a necessidade mais simples, onde se amparar?