quarta-feira, 29 de junho de 2011

Do que nada se sabe - Jorge Luís Borges


A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

  
In "A Rosa Profunda"

domingo, 26 de junho de 2011

Silêncio - Octavio Paz


Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.

  
In "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli

sábado, 25 de junho de 2011

Conversar - Octavio Paz


Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.


O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.


A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Corvo - Edgar Allan Poe


    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
    É só isto, e nada mais." Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais - Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
    Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo, "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
    É só isto, e nada mais". E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
    Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais - Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
    Isso só e nada mais. Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais." Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
    "É o vento, e nada mais." Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
    Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
    Disse o corvo, "Nunca mais". Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
    Com o nome "Nunca mais". Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
    Disse o corvo, "Nunca mais". A alma súbito movida por frase tão bem cabida, "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais, Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
    Era este "Nunca mais". Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
    Com aquele "Nunca mais". Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
    Reclinar-se-á nunca mais! Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais, A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo, A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
    Disse o corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais. Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais". "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte! Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais! Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais". E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
    Libertar-se-á... nunca mais!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vandalismo - Augusto dos Anjos


Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínguas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
E as ametistas e os florais e as pratas.

Como os velhos templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

terça-feira, 14 de junho de 2011

É tudo o que sinto - Paulo Leminski


Inverno

É tudo o que sinto


Viver


É sucinto

Reinvenção - Cecília Meireles.



A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

14 de Junho - 83º aniversário do nascimento de Che Guevara.


"Hay que endurecerse, pero sin perder
la ternura jamás!"

Eu que já passei pela voragem
De não saber quem sou
E me perdi nas drogas
Buscando um sentido
Pra minha existência.
Hoje digo sim à Vida
E tenho gana de querer vencer
De recuperar o tempo perdido
De acreditar em mim mesmo
Saber que eu posso
Se eu tentar!
De que às vezes uma pequena frase
Pode mudar o seu dia
De que é tão importante o perdão,
A paciência, a compreensão,
O não revidar.
Às vezes é melhor calar.


Carlos Maia
14/06/11

segunda-feira, 13 de junho de 2011


Querem saber como vivo? lhes direi...
Vivo do vento que me mantém lúcida e acordada para que eu não adormeça na caminhada.

Vivo do mar que me limpa do cansaço da luta e me recompõe para que eu continue.
Vivo das cores que me ensinam os remédios e os alimentos para que eu sobreviva forte para trabalhar.

Vivo da riqueza do meu melhor esforço, meu amor.
Planto-o por onde passo, não perco nem mesmo a terra de um vaso quebrado, pois ali a semente germina.

E sou feliz assim.
Sou simples, pois preciso de pouco Sou calma, pois aprendi a esperar.

Tudo vem.
E o campo arado e adubado produz coisas melhores, que valem a pena ser preservadas.

Falo pouco, pois optei por grandes ocupações, como um trabalho escolhido de ouvir e por isso não me sobra tempo para as palavras.
Penso muito, mas corretamente.

Desejo só o necessário, ocupo pouco espaço e por isso não sofro por possuir.
Sou feliz, sou abençoada, sou reconfortada e apreciada.

Sou aquilo que todos lutam para obter.
Querem saber quem sou eu, já que sabem como vivo?

SOU A PAZ...

(texto enviado por Silvana Caminiti, não sei se é de sua autoria)

sexta-feira, 10 de junho de 2011


Navegar é preciso, mesmo entre escombros. 
Ocupemos os simulacros, espaços afirmativos
da falência social,
isolemos os vermes
e reafirmaremos a verve
que é o antídoto contra
a destruição que nos cerca. 

(Armando Guimarães)
10/06/11
Imagem - Flickr

Navego entre os escombros
De uma sociedade falida,
Que carrega dentro de si mesma
O verme da sua destruição.

Carlos Maia
10/06/11

Psicologia de um vencido - Augusto dos Anjos.


Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia, análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Beethoven - 9ª Sinfonia

Assistam a este vídeo de Beethoven, a Nona Sinfonia, a incorporação foi desabilitada, mas pode ser acessado regularmente no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=YAOTCtW9v0M&feature=related

A linha do vento - Aldo Lins.























Te imaginei de cristal
Não sei de que tecido tão fino
Era revestida a tua pele,
Nem de que porcelana tão nobre
Era composta a tua carne,
O teu sangue o mais puro mel.

Aquele olhar me embriagou de esperança
Senti no peito uma certeira lança
Quando me beijaste com tamanha ternura.

Desenhaste no peito a mais linda gravura
De amor penteado com fina arquitetura
Em que cada fio me prendeu a sua trança.

Bate-me este sonho na lembrança
Não morre o velho se a criança
No pátio azul dos seus encantos
Nada obscuro nele resuscitar.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Inquietude - Mário Quintana.


Esse olhar inquisitivo que me dirige às vezes nosso próprio cão...
Que quer ele saber que eu não sei responder?
Sou desse jeito... Vivo cercado de interrogações.
Dinheiro que eu tenha, como vou gastá-lo?
E como fazer para que não me esqueças?
(ou eu não te esqueça...)
Sinto-me assim, sem motivo algum,
Como alguém que estivesse comendo uma empada de camarão sem
camarões
Num velório sem defunto...


[Velório sem defunto, 1990]

A arte de viver - Mário Quintana.


A arte de viver
É simplesmente a arte de conviver...
Simplesmente, disse eu?
Mas como é difícil!


[Velório sem defunto, 1990]

terça-feira, 7 de junho de 2011


"As únicas palavras que merecem existir são
as palavras melhores que o silêncio."
(Juan Carlos Rouanet)

Diante de uma frase como esta eu me calo.
E no silêncio desfruto da presença de Deus...
Presença que para Moisés era imprescindível
como se vê na passagem a seguir:
"Disse mais o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui,
tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito,
para a terra da qual jurei a Abraão, a Isaque
e a Jacó, dizendo: À tua descendência a darei.
Enviarei um anjo adiante de ti, e lançarei fora
os cananeus, os amorreus, os heteus, os ferezeus,
os heveus e os jebuseus.
Sobe para uma terra que mana leite e mel.
Mas eu não subirei no meio de ti, porque és
povo de dura cerviz, para que eu não
te consuma no caminho.
Então Moisés lhe disse:
Se a tua presença não for conosco,
não nos faças subir deste lugar."
(Êxodo 33:1-3, 15)

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Sandra, Sandra...

05 de junho de 2011 | 0h 00

Luis Fernando Veríssimo - O Estado de S.Paulo
Diga-se a favor da Cecilinha que ela esperou o marido acordar antes de fazer a pergunta. Não acordou o Tonho a tapa. Não tentou sufocá-lo com o travesseiro. Esperou. E quando o Tonho finalmente abriu os olhos, perguntou:
- Quem é a Sandra?
O Tonho piscou. Olhou em volta como se tivesse acordado numa ilha exótica, sem reconhecer nada. Depois fixou-se no rosto da mulher como se ela fosse da fauna da ilha. E disse:
- Ahn?
- Quem é a Sandra?
- Quem?
- A Sandra. Você estava sonhando e disse o nome dela. Sandra, Sandra... Assim. Nesse tom. Quem é ela?
- E eu sei?
- O sonho era seu. Você não se lembra de quem estava no seu sonho?
- Eu nem me lembro do sonho!
***
Cecilinha não se convenceu. Decidiu ficar acordada toda a noite enquanto o Tonho dormia, para flagrar outro "Sandra, Sandra..." e aí sim, acordar o Tonho a tapa para saber quem era. Dormiria de dia, quando o Tonho estivesse no trabalho. À noite, manteria sua vigília. E claro que o Tonho também passou a dormir mal, com o risco de sonhar, dizer o nome "Sandra" e ser atacado pela mulher. Ninguém pode controlar os próprios sonhos. Ninguém escolhe o que vai dizer enquanto dorme.
***
De um ponto de vista puramente legal, ou mesmo ético, Tonho tinha toda a razão para se queixar da mulher. Aquilo não era justo. Um homem inconsciente é um homem indefeso. Um homem dormindo não pode ser responsabilizado pelos seus atos, e muito menos pelo que diz, durante um sonho. Nada do que ele fala dormindo pode ser usado contra ele, pois ele estaria se autoincriminando sem, literalmente, saber o que diz.
***
Nenhum destes argumentos comoveu a Cecilinha.
- Não me enrola. Quem é a Sandra?
- Eu não conheço nenhuma Sandra!
- Quem é a mulher dos seus sonhos?
- Eu não sei!
***
E a verdade é que o Tonho não sabia mesmo. Não conhecia nenhuma Sandra. Se sonhava com uma Sandra, esquecia o sonho. A Sandra podia muito bem acabar com o seu casamento sem nunca ter existido, sem aparecer nem em sonho. Sem nunca ter a cabeça dele entre seus seios para ele dizer "Sandra, Sandra..." daquele jeito, naquele tom. Não adiantou ele inventar que Sandra era o nome de uma tia querida, morta havia anos. Segundo a Cecilinha, ninguém diria "Sandra, Sandra..." daquele jeito para uma tia. Não adiantou ele uma noite fingir que dormia e dizer "Cecilinha, Cecilinha..." no mesmo tom. Só serviu para ela chamá-lo de farsante e piorar o clima entre os dois.
***
E como era impossível continuar com aquele "Sandra, Sandra..." assombrando seu casamento - e como os dois andavam irritadiços com a falta de sono - resolveram se divorciar.


sábado, 4 de junho de 2011


As árvores cresceram
E dão sombra...
Desde novo
Buscava nas suas copas
A essência da vida.
Agora, com 46 anos
Voltava ao colégio
Em que estudou.
A experiência de
Longas meditações
Desabrochava agora
Nas memórias, nas reminiscências...
Como se a experiência de hoje
Fosse transportada
Para 28 anos atrás,
E ele recenhecesse na época
Já o fruto maduro da sua busca,
No eterno contemplar
Das constelações...

Carlos Maia
10/10/98

sexta-feira, 3 de junho de 2011


Dá-me a tua mão.
Dá-me a tua mão e partamos pelos ancestrais caminhos
onde o mar outrora colhia os sorrisos da infância.
Dá-me a tua mão neste momento em que já nada
me resta.
Em que todos os dias me conduziram às negras
alamedas de cidades que me eram adversas.

Esqueci as sendas onde a nudez da água
habitava os meus passos.

Perdi-me entre as pedras
julgando garantidas as promessas que imortalizavam
as velhas árvores protectoras dos gestos inseguros.

Por favor.
Dá-me a tua mão.

Fernando Gregório 
Fonte: http://interludioemflor.blogspot.com/