domingo, 28 de dezembro de 2008

Perdí-me
Entre os meus referenciais
Esfacelados
Não restou uma certeza,
Só dúvidas...
Carlos Maia.
22/12/08.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mensagem - C. Jinarajadasa

Amigo e camarada,
Senhor e Deus,
Luz que não tem sombra,
Meta deste longo caminho que eu trilho
Bondoso coração sobre a cruz pregado!
Este que por tua vontade nasceu,
Lança-se a Teus pés;
A Ti a rosa, a mim os espinhos.
Assim eu Te dedico este dia.
Épocas e épocas passam, névoas de fogo e nebulosas,
estrelas e satélites, minerais e plantas, animais e homens
aparecem e desaparecem. São apenas sonhos da Sua bem-
aventurança, almas de Si mesmo. Porque Ele planeja uma
oferenda para a Sua bem-aventurança, e milênios de traba-
lho são precisos antes que esta oferenda possa estar pronta
como dádiva de Seu amor. Mas Ele sabe que o dia virá e
até que este chegue, sonha-o em nós e através de nós,
esperando que cada um compreenda que o amado
e o amante são um Único, esclusivamente Um.
(Aos Pés do Mestre - Krishnamurti)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Pedra sobre pedra
E não restará
Nada de mim!
O que há em ti de sagrado
Estará em mim
Como um talho
Um Corte
Gravado em mel
Entre as tuas coxas,
Morena!!!
Cleiton Márcio (Gandhi)
07/12/2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Tanto amor prá dar
Tanta coisa prá falar
Tanto que viver
Tanta alegria transbordando
No coração,
Sem encontrar
Um cálice prá receber!
Mas a vida tá aí
Na cara da gente,
No coração da gente!
É só abrir a porta
Prá deixar ela fluir
E voltar naturalmente.
A vida tá no coração da gente!
Feito um passarinho
Preso, louco prá voar
E que a gente
Prende sem saber
Que o que há de belo
Num passarinho
É o seu vôo livre
E não o seu canto preso.

Carlos Maia.

Julho/81.

domingo, 23 de novembro de 2008

Eu quero um amigo
Urgente
Para poder dar
Um abraço
Aonde andam as
Ruas tão vazias
Nestas tardes
de domingo?
Em que Capibaribe
Eu perdi
O meu ser?

Carlos Maia

01/08/07

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Terra,
Areia cintilante
Na relva da colina
Recortada num céu sem nuvens...
Árvores,
Raízes para o céu
Galhos como mãos
Pedindo clemência a Deus.
Quem me dera,
Chovessem estrelas
Das minhas mãos...

Carlos Maia.

domingo, 2 de novembro de 2008

Por esse mar de telhados
Sombras de sons
Serpenteiam o meu sono,
Gritos esparsos
Ecoam na noite
Como gotas de orvalho,
Brilhos noturnos
De eterno silêncio...
São apenas lembranças
De um tempo recente,
Em que a juventude
Pulsava como uma força
No nosso sangue
E passeávamos os nossos
Corpos bronzeados
Por entre
Praias e sonhos
Como gaivotas encantadas
Pelo brilho do luar...

Carlos Maia.

Dezembro/79

sábado, 25 de outubro de 2008

Como se brotasse
Da terra
A indumentária do sonho
Tantas vezes
Acalentado em outonos infernais.
Separação,
Concursos,
Pedras!
Planos de alçar vôo
Em espaços mais amenos...

Carlos Maia.

24/04/99.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eu, andarilho das estrelas
Navego
Entre as pedras oníricas
Lembrando-me
De vidas ancestrais...

Carlos Maia.

31/12/2007

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Ah!...As andorinhas...
Em seus vôos plenos de sol...
A alegria plena de paz
Pulsando em cada célula
Do seu ser.
Os Boing’s jamais terão
A alegria desse vôo
Pleno...
De liberdade,
De vida saudando
O criador,
Da alegria de existir,
Simplesmente
Existir...

Carlos Maia.

Junho/92.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Olho para a porta aberta
Do meu guarda-roupa
E escrevo esta poesia
Num caderno que não é meu
Com uma caneta
Que não escreve
E ouço
Uma música que já não é minha...
Olho para a porta aberta
De um quarto
Que já não é meu...
Nada me pertence
E eu fecho as portas
Daquela pessoa
Que eu fui;
E não tenho mais
Saudades,
O
Futuro
Me
Espera
E eu parto
Em busca
De uma rosa
perdida
a vagar
pelas
estradas
da minha
mente...
O Futuro
Me
Espera
caro amigo
sentado
no meu
quarto
a
ler playboys
e livros e a me fazer
perguntas.
Olho agora para a porta aberta
Do meu Destino...
E me questiono
Por que a vida
De repente
Ficou sem sentido?
Escrevo com uma caneta sem tinta
Num caderno que não é meu!
Acabou a tinta
mas eu continuo a escrever!
Acabou a tinta
a tinta acabou!

Carlos Maia

Junho/80.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nao posso mais dizer A Deus - Poeta França - in memorian

Canto de Amor e Lama I - Erickson Luna

Embarcações

Lancei-me jangada ao mar
Como se todo prazer que houvesse
Ali estivesse presente
Lancei-me pequena embarcação
De madeira leve e resistente
Nesse vento que me leva
Nesse vento que me traz
Leva a jangada ao poente
Traz a jangada ao nascente
Mas não leva ao porto, cais
Lancei-me barquinho de papel
Em busca de grande paixão
Os mares oferecidos
Esquecidos sem razão
Lancei-me canoa errante
Sem rota, a deslizar
Nas correntezas gigantes
Sem medo de naufragar
Nesse vento que me leva
Nesse vento que me traz
Leva o barquinho ao poente
Traz, o barquinho ao nascente
Só não leva ao porto, mais.

Wolney Mororó

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Segunda-feira morta
No Recife antigo.
Passeio pelos
Recônditos de minha
Alma,
Deserta,
Como este lugar.

Carlos Maia.

23/01/06.

Meu passado...
Tudo que vivi
Tudo que sou
Todos os descaminhos
Todos os acertos
Todo gozo
Toda dor
Todo aprendizado...
E ao mesmo tempo
É tudo
Como folhas de outono
Voando na relva...

Carlos Maia

13/10/08

domingo, 12 de outubro de 2008

O Livro do Desassossego - Bernardo Soares

270.
A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez
de sermos. Enquanto sentimos os males
e as injúrias de Hamlet, príncipe da
Dinamarca, não sentimos os nossos -
vis porque são nossos
e vis porque são vis.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes,
são formas elementares da arte, ou, antes,
de produzir o mesmo efeito que ela.
Mas amor, sono e drogas tem cada um
a sua desilusão. O amor farta ou desilude.
Do sono desperta-se, e, quando se dormiu,
não se viveu. As drogas pagam-se com a
ruína de aquele mesmo físico
que serviram estimular.
Mas na arte não há desilusão porque
a ilusão foi admitida desde o princípio.
Da arte não há despertar, porque nela não
dormimos, embora sonhássemos.
Na arte não há tributo ou multa
que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo
modo não é nosso, não temos nós que
pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia
sem que seja nosso - o rasto da passagem,
o sorriso dado a outrem, o poente, o poema,
o universo objetivo.
Possuir é perder.
Sentir sem possuir é guardar,
porque é extrair de uma coisa
a sua essência.
Fernando Pessoa
pg. 264

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

17 Ramiro Musotto TEZCATLIPOCA DVD SUDAKA ao VIVO

A Vã Ressurreição e a Noite Plena - Nelson Saldanha

Reacender as lâmpadas.
Com elas reordenar as sombras,
e entre elas cruzar o páteo,
onde há longo tempo jazem sem uso
as telhas derrubadas.
Tirar de novo o barco das amarras,
levantar outra vez ferros e portas.
Atravessar o medo antigo e fundo,
mover os remos outra vez.
De novo desenterrar as vísceras,
atar de novo as cartilagens,
riscar veias.
Retomar os degraus desmantelados,
reassumir o pulso, as mãos, os passos.
Entretanto,
apesar dos esforços,
receber a morte pressentida,
prometida desde muito.
Escutar as notas graves,
que ecoam e ressoam como sombras,
e sentir, para além das cartilagens,
a noite interminável.
Noite franca, aberta e pérfida,
profusa e leve,
escura como as vísceras, corrente;
estendida sem peso sobre a relva,
posta sobre si mesma.
Noite extensa,
fiel e lenta, traiçoeira, múltipla,
fosca e sem cor, eterna e provisória.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

De noite, sob as estrelas
Cavalgar sem rédeas
À beira-mar...
Ah! Estrela-do-mar
Toma meus sonhos
Em teus braços
E conta prá tua
Amiga do céu,
Todos os meus desejos...
De caminhar com
Minha amada
Entre os girassóis,
De colher lírios
No campo...
E de noite, sob as estrelas
Dormir na praia deserta.
Desperta,
Na palma das nossas mãos.

Carlos Maia.

Novembro/82.

domingo, 14 de setembro de 2008

Não há mais flores de Maio
E a esperança
Há muito
Adormeceu nas conchas...
Resta uma estrada a seguir
Buscar no âmago
O valor da essência
Não desperdiçar mais
Palavras nem atos
Quase tudo já foi dito...
Ainda queima em meu coração
Este sol dos teus olhos...

Carlos Maia.

14/09/08.

sábado, 6 de setembro de 2008

Um Cartão de Visitas.

Moro tão longe, que as serpentes
morrem no meio do caminho,
Moro bem longe, quem me alcança
Para sempre me alcançará.

Não há estradas coletivas
com seus vetores, suas setas
indicando o lugar perdido
onde meu sonho se instalou.

Há tão somente o mesmo túnel
de brasas que antes percorri,
e que à medida que avançava
foi-se fechando atrás de mim.

É preciso ser companheiro
do Tempo e mergulhar na Terra,
e segurar a minha mão
e não ter medo de perder.

Nada será fácil: as escadas
não serão o fim da viagem;
mas darão o duro direito
de, subindo-as, permanecermos.

Alberto da Cunha Melo

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ALGO A DECLARAR

Eu só queria um amor que fosse meu,
Um único dia sem esse silêncio triste dentro de mim,
Uma canção que falasse de infância,
Uma lembrança madura com cheiro de terra molhada
E ninguém para chorar no dia dos mortos.
(Todos nós temos alguém para chorar no dia dos mortos)
Eu queria que minhas mãos só se levantassem para a poesia
(eu falhei, meu Deus, eu falhei)
Por isso trovejam em mim idéias de abandonar-me, esquecer as flores
Como alguém que se perdesse pelos cômodos da própria casa,
Mas a poesia, canção de resistência,
lança setembros ensolarados nos olhos da tempestade.
Até mesmo no abismo permaneço de pé
E a estrela que me deste arde em minhas mãos.

Sérgio Leandro
02/09/08.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Saí pro Garagem

Coloquei a camisa mais colorida
e o meu colar de poder
aspergí-me com o perfume
das flores campestres
e saí pro mundo
pro turbilhão
das mentes insanas...
Carlos Maia.
27/08/08

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ainda hei de fazer uma canção
De amor pra ti Recife,
Recife, dos rios dourados pelas
Luzes da noite.
Recife, dos flamboyants e das acácias.
Recife, das auroras em Boa Viagem
Após porres homéricos na Rua da Moeda.
Recife, das putas adolescentes
Da Cons. Aguiar.
Recife, dos pedintes nos sinais
Recife, dos pôr-dos-sóis no Capibaribe.
Recife, de tanta miséria
Recife, de tanto prazer
Recife, das pontes inumeráveis
Recife, dos poetas espoliados.

Carlos Maia
Agosto/2001

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Não temas, ó terra,
Regozija-te e alegra-te;
porque o Senhor faz grandes coisas.
Não temais, animais do campo,
porque o arvoredo dará o seu fruto,
a figueira e a vide produzirão com vigor.
Alegrai-vos, pois, filhos de Sião,
regozijai-vos no Senhor vosso Deus,
porque Ele vos dará em justa medida
a chuva; fará descer, como outrora,
a chuva temporã e a serôdia.
As eiras se encherão de trigo, e os
lagares transbordarão de vinho
e de óleo.
Restituir-vos-ei os anos que foram
consumidos pelo gafanhoto migrador,
pelo destruidor e pelo cortador,
o meu grande exército que enviei
contra vós outros.
Comereis abundantemente e vos
fartareis, e louvareis o nome do Senhor
vosso Deus, que se houve
maravilhosamente convosco; e o meu
povo jamais será envergonhado.
Sabereis que estou no meio de Israel,
e que eu sou o Senhor vosso Deus,
e não há outro; e o meu povo
jamais será envergonhado.
E acontecerá depois que derramarei
o meu Espírito sobre toda a carne;
vossos filhos e vossas filhas
profetizarão,
vossos velhos sonharão,
e vossos jovens
terão visões.

(Joel 2:21-28)

domingo, 24 de agosto de 2008

Quero Ser Tambor

Tambor está velho de gritar Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor corpo e alma só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

Nem flor nascida no mato do desespero Nem rio correndo para o mar do desespero Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até a consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!

José Craveirinha

Poeta moçambicano.

Mafalala: Bairro da capital de Moçambique.
Zagaia: Lança curta de arremesso.
Já fui andorinha, pardal,
Falcão, gaivota e águia.
Já fui Cipreste no sul
Do Líbano.
Coqueiro
Em Arraial-da-Ajuda,
Hoje eu sou um homem
Voando em espantosa velocidade
Pelos confins do Universo
Sou um Pássaro,
Sou um homem,
Sou tantos e ao mesmo tempo
Nenhum.
Em que banco
De ônibus
Ficou perdida
A minha identidade?

Carlos Maia.

Janeiro/99.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

E aqui estamos reunidos
Nesta noite
Sem portais,
Os umbrais do tempo ecoam
No mais longínquo do nosso ser.
Eis tempo, eis templo,
Eu diante de ti
A minha alma acaricia
A luz do espectro
Desta vela,
E ela lança um caleidoscópio
De cores
Em nossas almas;
Vem, vem comigo
Nesta estrada de terra
Sentir a poeira varrer as nossas almas;
Vem andar pelos trigais
Qual Van Gogh em noite
Raio de luz,
E neste templo dos iniciados
O que se escuta
É o crepitar da chama,
É o crepitar da chama...

Carlos Maia
1987

Erickson, Erickson...
Como eu poderei chegar agora
No mercado da Boa Vista
E não haver mais a possibilidade
Da tua presença lá...
Ou na segunda sem lei
No Burburinho
Ou nas ruas de Recife
Nas noitadas intermináveis...
Ouço o canto do Capibaribe,
Um canto
Triste e silente...
Não ouvirei mais
A tua lucidez, amigo,
Embriagado pela vida!
A única coisa que eu
Desejo agora
É a morte
Para poder aplacar
A minha dor
Mas,
Não tenho pressa...

Carlos Maia
07/08/07

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu queria saber desenhar
Pra poder dizer tudo
Que vai dentro de mim.
Esse grito contido,
Essa espera,
São frutos de um mesmo
Sentimento.
Sentir Deus em toda sua
Pureza, perfeição e glória.
Ter uma pequena idéia
Do seu reino
Através das estátuas
De sol em
Uma onda que se quebra
Num mar agitado e tenso...
E de uma aurora
Que se descortina
Em mil cores vivas
Esvoaçando e abrindo
Sua mente em paz.
A paz de uma onda
Que se quebra
Contra o vento e deixa
Uma névoa de música
No seu rastro,
Branca e pura como
A areia ainda intocada;
A paz
De um dia novo que
Começa no coração
Da gente;
Como um sentimento
De uma gaivota
Planando num mar
Límpido e cristalino.
E toda a força
Da chuva
Lavando nossas almas
À beira-mar...
E sentir que tão poucos
Sentem isso.

Carlos Maia
Junho/81.

sábado, 16 de agosto de 2008

De onde emerges
Tempo,
Nos subterrâneos de minha mente?
Entre...
Veja as espirais de fumaça
Invadindo castelos medievais...
De onde emerges, tempo?
De que dourado
Teceste
Os fios da memória?
Em que nebulosa
Se esconde
Tamanho medo?
As garras do girassol
Explodirão esta bolha!
Olha...
A menina desce as ladeiras
De Olinda,
Sentindo subir nos cabelos
O vento das recordações
Das ruínas...

Carlos Maia
Julho/85

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Eu encontrei
Num copo de cerveja
Uma bactéria leprosa,
Muito beba e
Muito prosa,
Foi aí que eu descobri
O protoplasma de plástico
E então eu perguntei:
O que é que meu
Pé tem a ver com
Minha mãe?

Carlos Maia
Julho/78

quinta-feira, 19 de junho de 2008

1º Coríntios 13


O amor é o dom supremo. (1Co 13)

E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor,
Serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
E ainda que tivesse o dom de profecia,
E conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,
E ainda que tivesse toda a fé,
De maneira tal que transportasse os montes,
E não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna
Para sustento dos pobres,
E ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado,
E não tivesse amor,
Nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso;
O amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses,
Não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas;
Havendo línguas, cessarão;
Havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito,
Então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino,
Sentia como menino, discorria como menino,
Mas, logo que cheguei a ser homem,
Acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma,
Mas então veremos face a face;
Agora conheço em parte,
Mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três,
Mas o maior destes é o amor.

domingo, 15 de junho de 2008


A foto da rosa
No jardim
Junto a tua foto,
Meu pai,
Como uma homenagem
Póstuma.
Esta rosa
Jamais murchará...
Quanta saudade, meu velhinho,
Quanta saudade...
Shangrilá manda
Lembranças para ti...
Sei que agora
Estás em outra dimensão
Mas recebe
Esta rosa com carinho...

Carlos Maia.

Agosto/96.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Natureza Morta

Navios chegando ao porto
Costumes, vícios trazem de outros povos
(Talvez, nem isso. São máquinas e nada mais)
Suape é beira de cais

Não há mais velas no mar
Nem chapéu de palha no ar

Vento nordeste, um canto de dor
Quando o tempo apaga histórias
(Naufraga nossas lembranças e)
Afoga a memória de um pescador

Hoje, não há mais o milagre da multiplicação
Nem luta pelo pão

Não há mais peixe no mar
Não há mais rede para os braços
Nem amor, suor, cansaço

Túlio Velho, 1978

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vai, anda sobre as estrelas...
Vai buscar o incogniscível
Na esmeralda deste mar!

Carlos Maia
06/06/2008