"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Vivendo com Propósitos - Ed René Kivitz.

todos os seus desejos e esperanças para o dia
correm para você como animais selvagens.
E a primeira tarefa de cada manhã consiste
em enxotá-los todos de volta;
e ouvir aquela outra voz,
observar aquele outro ponto de vista,
deixando que aquela outra vida, maior,
mais poderosa e mais calma
venha fluindo para dentro."
(C. S. Lewis)
pg. 110
Yoga Caminho para Deus - Hermógenes.

apegadamente latas velhas, papéis sujos, caixas
vazias, pedaços de pau e tantas prezadas
inutilidades?
Ele é expressivo símbolo do sentimento tão comum,
tão humano, tão vulgar de "estas coisas são minhas!"
Tudo aquilo é o que lhe garante a ilusão de que
é proprietário.
Iludido, às inutilidades ele se apega.
Do alto de nossa soberba, nós o julgamos doido
e o achamos ridículo.
Mas, será que, em nossa famigerada normalidade
ou sanidade, não fazemos exatamente o mesmo,
e sob a tensão do apego, sob a paixão de
manter, ridiculamente vinculados estamos
a nossas pseudopropriedades???
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Auto analisa-te.
A cada instante busca atingir os motivos
profundos - não os periféricos - que te fazem agir,
sentir, falar, pretender, orar...
Tê muita coragem.
Sê prudente.
Não te deixes iludir.
Desde já, fica sabendo - és tu mesmo,
e não os outros,
que melhor te iludes.
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Estás mesmo em condições para um encontro
com a Verdade, esta Verdade que dizes querer?
Ela liberta, mas fere, machuca, ofusca,
consome, queima, desconforta...
Se algumas pequenas supostas-verdades
particulares ainda parecem ameaças
a teu conforto e à tua segurança,
se ainda te incomodam,
como podes supor que aspiras
à Verdade?
Pgs. 70-71
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Aprendendo com a Dor - Nélio da Silva.

pressões, tensões e disciplinas forem retiradas
da sua vida. (James G. Bilkey)
Dor é uma lição esperando ser compreendida e
aprendida. Ao nos submetermos ao ensino
dessa grande lição, podemos transcender a própria
dor. Se você tocar um ferro quente, sentirá
uma dor terrível. Se você negligenciar
o aprendizado desta experiência,
a dor voltará todas as vezes que você tocar
o ferro quente.
Quando você aprende a lição de que a dor
tem algo a ensinar, e ao evitar tocar o ferro quente,
você certamente não terá que suportar
aquela dor novamente. O que é que você pode
aprender com as dores que esta vida lhe causa?
Em cada dor existe uma lição.
Algumas vezes a lição é evitar cometer os mesmos
ou novos erros. Em outras ocasiões é a lição
de aprender a aceitar, valorizar e triunfar sobre os
desafios que temos à nossa frente.
Você já aprendeu que, nesta vida, é impossível
conseguir algo em troca de nada?
Ou a sua dor ainda está tentando ensinar-lhe isso?
Você já aprendeu a viver com foco e
propósito?
Ou continua a resistir às preciosas lições que
uma dor pode ensinar-lhe?
Liberte-se da dor ao aprender aquilo que
ela está pronta a lhe ensinar.
Para Meditação:
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti,
em cujo coração se encontram os caminhos
aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz
dele um manancial; de bençãos o cobre
a primeira chuva. (Salmos 84:5-6)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Dentro e Fora - Luan Jessan.

tenho tantos anos
que você nem acredita.
Por dentro, doze ou menos,
e me acho mais bonita.
Por fora, óculos;
algumas rugas,
gordurinhas,
prata nos tintos cabelos.
Por dentro sou dourada,
Alma imaculada,
corpo de modelo.
Por fora, em aluviões,
batem paixões contra o peito.
Paixões por versos, pinturas,
filosofia e amigos sem despeito.
Por dentro, sei me cuidar,
vivo a brincar, meio sem jeito.
Não me derrota a tristeza;
não me oprime a saudade;
não me demoro padecente.
E é por viver contente
que concluo sem demora:
é a menina
que vive por dentro,
que alegra
a mulher de fora!
domingo, 20 de setembro de 2009
Breve diálogo entre Leonardo Boff e Dalai Lama.

e Paz entre os povos, na qual ambos participávamos,
eu, maliciosamente, mas também com interesse
teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião?"
Esperava que ele dissesse: "é o budismo tibetano" ou
"são as religiões orientais muito mais antigas do
que o cristianismo."
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um
sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me
desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia
contida na pergunta - e afirmou:
"A melhor religião é a que mais te aproxima de
Deus. É aquela que te faz melhor."
Para sair da perplexidade de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:
- "O que me faz melhor?"
Respondeu ele:
-"Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti
a ressonância tibetana, budista, taoísta
de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível,
mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário,
mais responsável... A religião que conseguir
fazer isso de ti é a melhor religião..."
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Sua Opção - Nélio da Silva.

oportunidades brilhantemente disfarçadas
de problemas insolúveis." (Lee Iacocca)
Você pode optar por desejar e esperar que tudo
na vida venha a ser perfeito.
Ou você pode fazer com que as coisas possam ficar
melhores e melhores.
Você pode lamuriar que a vida é imperfeita e
lamentar que o melhor da vida já passou por você,
ou você pode fazer ainda o melhor com a sua vida.
Você pode fazer uma lista de todas as coisas
que você não tem.
Ou você pode fazer bom uso de todas as coisas
boas e valiosas que você já tem.
Você pode se preocupar por não ter tempo
e recursos para fazer tudo o que deseja fazer.
Ou você pode fazer o seu melhor com o tempo
e os recursos que estão à sua disposição.
Você pode permitir que os retrocessos e
desapontamentos lhe coloquem para baixo.
Ou você pode se concentrar na soberania de Deus
e continuar os seus esforços com uma
positiva determinação.
Você pode se sentar e apenas observar a vida
acontecendo ao seu redor.
Ou fazer da sua vida algo essencialmente precioso
ao deixar para trás um legado inestimável.
A opção é apenas sua.
Para meditação:
Será que você não sabe? Nunca ouviu falar?
O Senhor é o Deus eterno, o Criador de
toda a terra. Ele não se cansa nem fica exausto;
sua sabedoria é insondável. (Isaías 40:28-29)
sábado, 12 de setembro de 2009

que originaria talvez
uma grande árvore,
A semente tinha dois tendões:
Um se estendia até o infinito
e o outro se estendia até o começo.
Antes que o começo
gerasse o infinito,
vieram os pássaros
e devoraram as sementes.
Será que ao lançar
novas sementes, elas cairão
em solo fértil?
Ou serão novamente
devoradas pelos pássaros,
e ficarão no aconchego
dos ninhos?
Ivaldo Evangelista
25/08/96.
Buscando o porquê - Nélio da Silva

você poderá encontrar a força e a coragem
necessárias para fazer aquilo que tem de ser feito.
Se a razão do porquê tem o peso que deve ter
você terá a persistência que o levará a atingir o alvo
que tanto almeja.
Apesar de parecerem os obstáculos grandes demais
para serem transpostos, uma forte razão o
induzirá a ultrapassá-los.
Um motivo claro e determinado irá providenciar-lhe
o encorajamento indispensável, a fim de que
você consiga atingir seus alvos.
Conheça, compreenda e se conecte com o significativo
"porquê", e você encontrará a maneira de
encontrar o que busca.
Para meditação:
"E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo
próprio colheremos, se não desanimarmos."
(Gálatas 6:9)

do meu cigarro inseguro,
não obstante,
me aventuro a virar fumaça.
Sofro a minha desgraça
com cápsula de cianureto
Eis aqui o meu amuleto
escondido por entre
os dentes risonhos da morte,
a serpente.
Um só trago de repente
piso o chão,
minh'alma salta
crucificada nos abrolhos
orbitais que cintilam
Quebro a raiz da mentira
com verdades frenéticas.
Ivaldo Evangelista
25/08/96.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
algas cianofíceras,
moneras,
símbolo de fortaleza no mar.
Novamente cianofíceras algas,
vejo com esplendor
através de anteparos de vidro
posso me sentir Netuno
na exploração psico-cinética,
mas o meu arpão, límpido, seguro,
derrama sangue pelas águas
quando atinge o dorso de um mero.
Sinto o desespero,
por ter destruído criatura,
num só fôlego,
algo que a natureza levou 40 anos
para desenvolver,
chorei por trás do visor
por ter danificado a minha
natureza interior.
Ivaldo Evangelista
25/08/96.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
No Caminho, com Maiakóvski - Eduardo Alves da Costa

humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
O Ato Gratuito - Clarice Lispector.

Muitas vezes o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem conseqüências, são imprevisíveis.
Voltarei num dia de muita chuva – só para ver o gotejante jardim submerso.
Nota: peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em Braile para os cegos que não traduza este. Não quero ferir olhos que não vêem.
8 de Abril de 1972.
Extraído do livro:
"A Descoberta do Mundo"