segunda-feira, 4 de julho de 2011

Acta est fabula - Esman Dias


A Domingos Alexandre

Morre o poeta.
Morre, com ele, toda a luz do mundo:
o espaço do seu rosto, o mar profundo,
a aurora e um pôr-do-sol escandaloso.

Morre o poeta e morre o Ocidente.
E o Oriente. E os pontos cardeais.
Morrem as estrelas. Morre o firmamento.
Morrem as sombras do pântano e o arvoredo,
todos os santos, todos os escribas,
os dias da semana, a quarta-feira.

E o próprio tempo, imóvel, que agoniza:
foi-se o olhar que no relógio via
a marcha, alegre e triste, dos ponteiros.

Morre o poeta.
Morre a alegria.
Morre tudo o que flui: morre a poesia.

Morre o poeta.
E morre o mundo inteiro. 

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