"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
domingo, 28 de dezembro de 2008
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Mensagem - C. Jinarajadasa
domingo, 7 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Tanta coisa prá falar
Tanto que viver
Tanta alegria transbordando
No coração,
Sem encontrar
Um cálice prá receber!
Mas a vida tá aí
Na cara da gente,
No coração da gente!
É só abrir a porta
Prá deixar ela fluir
E voltar naturalmente.
A vida tá no coração da gente!
Feito um passarinho
Preso, louco prá voar
E que a gente
Prende sem saber
Que o que há de belo
Num passarinho
É o seu vôo livre
E não o seu canto preso.
Carlos Maia.
Julho/81.
domingo, 2 de novembro de 2008

Sombras de sons
Serpenteiam o meu sono,
Gritos esparsos
Ecoam na noite
Como gotas de orvalho,
Brilhos noturnos
De eterno silêncio...
São apenas lembranças
De um tempo recente,
Em que a juventude
Pulsava como uma força
No nosso sangue
E passeávamos os nossos
Corpos bronzeados
Por entre
Praias e sonhos
Como gaivotas encantadas
Pelo brilho do luar...
Carlos Maia.
Dezembro/79
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
AMOR DE PRAÇA - Maurício Silva
sábado, 18 de outubro de 2008
Olho para a porta aberta
Do meu guarda-roupa
E escrevo esta poesia
Num caderno que não é meu
Com uma caneta
Que não escreve
E ouço
Uma música que já não é minha...
Olho para a porta aberta
De um quarto
Que já não é meu...
Nada me pertence
E eu fecho as portas
Daquela pessoa
Que eu fui;
E não tenho mais
Saudades,
O
Futuro
Me
Espera
E eu parto
Em busca
De uma rosa
perdida
a vagar
pelas
estradas
da minha
mente...
O Futuro
Me
Espera
caro amigo
sentado
no meu
quarto
a
ler playboys
e livros e a me fazer
perguntas.
Olho agora para a porta aberta
Do meu Destino...
E me questiono
Por que a vida
De repente
Ficou sem sentido?
Escrevo com uma caneta sem tinta
Num caderno que não é meu!
Acabou a tinta
mas eu continuo a escrever!
Acabou a tinta
a tinta acabou!
Carlos Maia
Junho/80.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Embarcações
Lancei-me pequena embarcação
Nesse vento que me leva
Lancei-me barquinho de papel
Lancei-me canoa errante
Nesse vento que me leva
Wolney Mororó
domingo, 12 de outubro de 2008
O Livro do Desassossego - Bernardo Soares
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A Vã Ressurreição e a Noite Plena - Nelson Saldanha

Tirar de novo o barco das amarras,
levantar outra vez ferros e portas.
Atravessar o medo antigo e fundo,
mover os remos outra vez.
Retomar os degraus desmantelados,
reassumir o pulso, as mãos, os passos.
Entretanto,
apesar dos esforços,
que ecoam e ressoam como sombras,
e sentir, para além das cartilagens,
a noite interminável.
escura como as vísceras, corrente;
estendida sem peso sobre a relva,
posta sobre si mesma.
fiel e lenta, traiçoeira, múltipla,
fosca e sem cor, eterna e provisória.
terça-feira, 23 de setembro de 2008

Cavalgar sem rédeas
À beira-mar...
Ah! Estrela-do-mar
Toma meus sonhos
Em teus braços
E conta prá tua
Amiga do céu,
Todos os meus desejos...
De caminhar com
Minha amada
Entre os girassóis,
De colher lírios
No campo...
E de noite, sob as estrelas
Dormir na praia deserta.
Desperta,
Na palma das nossas mãos.
Carlos Maia.
Novembro/82.
domingo, 14 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
Um Cartão de Visitas.

morrem no meio do caminho,
Moro bem longe, quem me alcança
Para sempre me alcançará.
Não há estradas coletivas
com seus vetores, suas setas
indicando o lugar perdido
onde meu sonho se instalou.
Há tão somente o mesmo túnel
de brasas que antes percorri,
e que à medida que avançava
foi-se fechando atrás de mim.
É preciso ser companheiro
do Tempo e mergulhar na Terra,
e segurar a minha mão
e não ter medo de perder.
Nada será fácil: as escadas
não serão o fim da viagem;
mas darão o duro direito
de, subindo-as, permanecermos.
Alberto da Cunha Melo
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
ALGO A DECLARAR

Um único dia sem esse silêncio triste dentro de mim,
Uma canção que falasse de infância,
Uma lembrança madura com cheiro de terra molhada
E ninguém para chorar no dia dos mortos.
(Todos nós temos alguém para chorar no dia dos mortos)
Eu queria que minhas mãos só se levantassem para a poesia
Por isso trovejam em mim idéias de abandonar-me, esquecer as flores
Como alguém que se perdesse pelos cômodos da própria casa,
Mas a poesia, canção de resistência,
Até mesmo no abismo permaneço de pé
E a estrela que me deste arde em minhas mãos.
Sérgio Leandro
02/09/08.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Saí pro Garagem
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Recife, dos rios dourados pelas
Luzes da noite.
Recife, dos flamboyants e das acácias.
Recife, das auroras em Boa Viagem
Após porres homéricos na Rua da Moeda.
Recife, das putas adolescentes
Da Cons. Aguiar.
Recife, dos pedintes nos sinais
Recife, dos pôr-dos-sóis no Capibaribe.
Recife, de tanta miséria
Recife, de tanto prazer
Recife, das pontes inumeráveis
Recife, dos poetas espoliados.
Carlos Maia
Agosto/2001
terça-feira, 26 de agosto de 2008

Regozija-te e alegra-te;
porque o Senhor faz grandes coisas.
Não temais, animais do campo,
porque o arvoredo dará o seu fruto,
a figueira e a vide produzirão com vigor.
Alegrai-vos, pois, filhos de Sião,
regozijai-vos no Senhor vosso Deus,
porque Ele vos dará em justa medida
a chuva; fará descer, como outrora,
a chuva temporã e a serôdia.
As eiras se encherão de trigo, e os
lagares transbordarão de vinho
e de óleo.
Restituir-vos-ei os anos que foram
consumidos pelo gafanhoto migrador,
pelo destruidor e pelo cortador,
o meu grande exército que enviei
contra vós outros.
Comereis abundantemente e vos
fartareis, e louvareis o nome do Senhor
vosso Deus, que se houve
maravilhosamente convosco; e o meu
povo jamais será envergonhado.
Sabereis que estou no meio de Israel,
e que eu sou o Senhor vosso Deus,
e não há outro; e o meu povo
jamais será envergonhado.
E acontecerá depois que derramarei
o meu Espírito sobre toda a carne;
vossos filhos e vossas filhas
profetizarão,
vossos velhos sonharão,
e vossos jovens
terão visões.
(Joel 2:21-28)
domingo, 24 de agosto de 2008
Quero Ser Tambor

Nem flor nascida no mato do desespero Nem rio correndo para o mar do desespero Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até a consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
José Craveirinha
Poeta moçambicano.
Mafalala: Bairro da capital de Moçambique.
Zagaia: Lança curta de arremesso.

Falcão, gaivota e águia.
Já fui Cipreste no sul
Do Líbano.
Coqueiro
Em Arraial-da-Ajuda,
Hoje eu sou um homem
Voando em espantosa velocidade
Pelos confins do Universo
Sou um Pássaro,
Sou um homem,
Sou tantos e ao mesmo tempo
Nenhum.
Em que banco
De ônibus
Ficou perdida
A minha identidade?
Carlos Maia.
Janeiro/99.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Nesta noite
Sem portais,
Os umbrais do tempo ecoam
No mais longínquo do nosso ser.
Eis tempo, eis templo,
Eu diante de ti
A minha alma acaricia
A luz do espectro
Desta vela,
E ela lança um caleidoscópio
De cores
Em nossas almas;
Vem, vem comigo
Nesta estrada de terra
Sentir a poeira varrer as nossas almas;
Vem andar pelos trigais
Qual Van Gogh em noite
Raio de luz,
E neste templo dos iniciados
O que se escuta
É o crepitar da chama,
É o crepitar da chama...
Carlos Maia
1987

Como eu poderei chegar agora
No mercado da Boa Vista
E não haver mais a possibilidade
Da tua presença lá...
Ou na segunda sem lei
No Burburinho
Ou nas ruas de Recife
Nas noitadas intermináveis...
Ouço o canto do Capibaribe,
Um canto
Triste e silente...
Não ouvirei mais
A tua lucidez, amigo,
Embriagado pela vida!
A única coisa que eu
Desejo agora
É a morte
Para poder aplacar
A minha dor
Mas,
Não tenho pressa...
Carlos Maia
07/08/07
terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pra poder dizer tudo
Que vai dentro de mim.
Esse grito contido,
Essa espera,
São frutos de um mesmo
Sentimento.
Sentir Deus em toda sua
Pureza, perfeição e glória.
Ter uma pequena idéia
Do seu reino
Através das estátuas
De sol em
Uma onda que se quebra
Num mar agitado e tenso...
E de uma aurora
Que se descortina
Em mil cores vivas
Esvoaçando e abrindo
Sua mente em paz.
A paz de uma onda
Que se quebra
Contra o vento e deixa
Uma névoa de música
No seu rastro,
Branca e pura como
A areia ainda intocada;
A paz
De um dia novo que
Começa no coração
Da gente;
Como um sentimento
De uma gaivota
Planando num mar
Límpido e cristalino.
E toda a força
Da chuva
Carlos Maia
sábado, 16 de agosto de 2008
Tempo,
Nos subterrâneos de minha mente?
Entre...
Veja as espirais de fumaça
Invadindo castelos medievais...
De onde emerges, tempo?
De que dourado
Teceste
Os fios da memória?
Em que nebulosa
Se esconde
Tamanho medo?
As garras do girassol
Explodirão esta bolha!
Olha...
A menina desce as ladeiras
De Olinda,
Sentindo subir nos cabelos
O vento das recordações
Das ruínas...
Carlos Maia
Julho/85
quinta-feira, 19 de junho de 2008
1º Coríntios 13
E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.
AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor,
E ainda que tivesse o dom de profecia,
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso;
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses,
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito,
Quando eu era menino, falava como menino,
Porque agora vemos por espelho em enigma,
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três,
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Natureza Morta
Costumes, vícios trazem de outros povos
(Talvez, nem isso. São máquinas e nada mais)
Suape é beira de cais
Não há mais velas no mar
Nem chapéu de palha no ar
Vento nordeste, um canto de dor
Quando o tempo apaga histórias
(Naufraga nossas lembranças e)
Afoga a memória de um pescador
Hoje, não há mais o milagre da multiplicação
Nem luta pelo pão
Não há mais peixe no mar
Não há mais rede para os braços
Nem amor, suor, cansaço
Túlio Velho, 1978