quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sonâmbulo - Aldo Lins



Para Carlos Maia



Ao espelho no seu mundo patético

Nem mais um petardo o desperta
Nem a espera renitente por algo
De alguém que pintou outra aquarela.

O desmantelo da vida o conduz
Para as calçadas sujas e medonhas
Para o banho em águas escuras
Para a noite longa e tristonha

Agachado contempla as estrelas
Relâmpago do sorriso de uma sereia
No seu coração indigente em agonia

Mas o sangue em cruz pelas calçadas
Mancha a torre azul da catedral
Mancha os trilhos de nossa alma.

Foto: Carlos Maia.

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